Se você já esfregou as mãos com força, sabe que o movimento gera calor. Dentro do computador acontece algo parecido: a eletricidade passa por milhões de minúsculos componentes e, no caminho, uma parte dela se transforma em calor. Se esse calor não for retirado, as peças sofrem.

É aí que entra o cooler, a peça responsável por tirar o calor do processador e jogá-lo para fora. Neste guia, você vai entender como ele funciona e como cuidar dele.

O que é um cooler

A palavra "cooler" vem do inglês e significa algo como "resfriador". No computador, o termo costuma se referir ao conjunto que fica sobre o processador e é formado por duas partes:

  • Dissipador: uma peça de metal, geralmente alumínio e cobre, com várias lâminas finas chamadas aletas. Ela absorve o calor do processador e o espalha em uma grande área.
  • Ventoinha: um ventilador que sopra ar sobre as aletas, levando o calor embora.

Pense em um radiador de carro: ele é cheio de lâminas finas para que o ar passe e leve o calor. O dissipador do computador segue a mesma ideia.

Ilustração de um cooler a ar com torre de aletas metálicas, tubos de cobre e uma ventoinha.
Figura 1: Um cooler a ar do tipo torre: aletas, tubos de cobre e ventoinha.

A ilustração acima mostra um cooler a ar com torre de aletas, tubos de cobre e ventoinha, o modelo mais comum entre os computadores de mesa.

Para que serve a refrigeração

Todo componente eletrônico tem uma temperatura segura de trabalho. O processador, por exemplo, é uma das peças que mais esquentam, pois executa bilhões de operações por segundo. A refrigeração mantém essa temperatura dentro de limites seguros.

Sem ela, o processador esquenta rapidamente e acontecem três coisas, em sequência:

  1. Superaquecimento: a temperatura sobe além do recomendado.
  2. Lentidão por proteção térmica: o processador percebe o calor excessivo e reduz a própria velocidade para esquentar menos. Esse mecanismo é chamado em inglês de thermal throttling. Para o usuário, o computador fica lento e engasga.
  3. Desligamento automático: se a temperatura continuar subindo, o computador desliga sozinho para evitar danos permanentes.

Ou seja, o cooler protege a peça, preserva o desempenho e aumenta a durabilidade do equipamento.

Como o calor sai do processador

O caminho do calor tem várias etapas, e cada uma tem uma função:

  1. O processador esquenta ao trabalhar.
  2. Uma camada de pasta térmica, aplicada entre o processador e o cooler, preenche pequenas imperfeições nas superfícies e ajuda o calor a passar de uma peça para a outra. Sem a pasta, ficariam microespaços com ar, que conduz mal o calor.
  3. O calor chega à base do cooler, em geral de cobre, um metal que conduz bem o calor.
  4. Em muitos modelos, tubos de calor (heat pipes) levam esse calor até as aletas. Esses tubos têm um pequeno volume de líquido em seu interior, que evapora na parte quente, viaja até a parte fria, condensa e retorna, repetindo o ciclo.
  5. A ventoinha sopra ar pelas aletas, e o calor é levado para fora do gabinete.
Diagrama em quatro etapas: o processador esquenta, a pasta térmica leva o calor à base, os tubos o espalham nas aletas e a ventoinha o expulsa.
Figura 2: O calor percorre um caminho até ser expulso do gabinete.

O diagrama acima resume o caminho em quatro etapas. Note que o ar quente ainda precisa sair do gabinete, e por isso a circulação de ar do conjunto também importa. Veja mais sobre isso em o que é gabinete.

Tipos de refrigeração

Existem duas grandes famílias de refrigeração para o processador.

Cooler a ar

É o modelo tradicional. Dentro dessa família há dois grupos principais: o cooler "box" (também chamado de original), que costuma vir junto com alguns processadores e atende a uso básico, e os coolers em "torre", maiores e com mais aletas e tubos de calor, para quem precisa de mais capacidade de resfriamento.

Water cooler (refrigeração líquida)

Em vez de depender apenas de aletas diretamente sobre o processador, o water cooler usa um líquido que circula por mangueiras. Ele tem três partes principais: um bloco que fica sobre o processador, uma bomba que faz o líquido circular e um radiador, onde o calor é liberado para o ar com a ajuda de ventoinhas. Há modelos prontos, selados de fábrica, que dispensam manutenção do líquido.

Tabela comparando cooler a ar e water cooler em funcionamento, preço, manutenção e instalação.
Figura 3: Comparação entre refrigeração a ar e líquida.

Abaixo, uma comparação direta entre os dois tipos, para ajudar na decisão:

  • Funcionamento: o cooler a ar usa ventoinha e aletas de metal; o water cooler faz um líquido circular por mangueiras.
  • Preço: o cooler a ar costuma ser mais barato; o water cooler costuma ser mais caro.
  • Manutenção: o cooler a ar exige quase nenhuma; o water cooler tem maior risco de falha ou vazamento.
  • Instalação: o cooler a ar é simples; o water cooler é mais trabalhoso.

Para a maioria das pessoas, um bom cooler a ar atende muito bem. O water cooler faz sentido em montagens mais exigentes ou quando se busca um visual específico.

Outras peças que também são refrigeradas

O processador não é o único componente que esquenta. As ventoinhas do gabinete movimentam o ar de todo o interior. A placa de vídeo tem o seu próprio sistema, com dissipador e ventoinhas. Até alguns SSDs do tipo M.2 vêm com pequenos dissipadores, pois também esquentam quando trabalham pesado.

Ruído, tamanho e temperatura

A ventoinha é medida em RPM (rotações por minuto), que indica quantas voltas ela dá a cada minuto. Quanto mais rápido gira, mais ar move, porém mais barulho faz. Ventoinhas maiores movem a mesma quantidade de ar girando mais devagar, e por isso costumam ser mais silenciosas.

Quanto à temperatura, os valores variam conforme o modelo do processador, mas, em geral:

  • em repouso, na tela inicial ou com poucos programas abertos, a temperatura costuma ficar mais baixa;
  • sob uso pesado, como jogos ou edição de vídeo, ela sobe naturalmente;
  • temperaturas acima de cerca de 90 °C costumam ser um sinal de alerta.

Esses números são apenas uma referência. O ideal é consultar o site do fabricante do processador para saber o limite exato do seu modelo.

Para acompanhar a temperatura, existem programas de monitoramento que mostram os valores em tempo real, e muitas placas-mãe também exibem esses dados no menu de configuração do computador (a BIOS). Observe a temperatura em repouso e durante o uso pesado e, assim, você perceberá quando algo mudar.

Como escolher um cooler

  1. Compatibilidade com o soquete: o soquete é o encaixe do processador na placa-mãe. O cooler precisa ser compatível com o soquete do seu processador. Essa informação está na embalagem e na ficha técnica.
  2. Altura: coolers em torre podem ser muito altos. Confira a altura máxima aceita pelo gabinete.
  3. Capacidade de refrigeração: processadores mais potentes liberam mais calor e pedem coolers mais robustos.
  4. Ruído: verifique o tamanho da ventoinha e a faixa de RPM.
  5. Folga para a memória: alguns coolers grandes ficam por cima dos módulos de memória, e isso atrapalha a instalação.

Um erro comum é escolher um cooler apenas pela aparência, sem verificar a compatibilidade. Outro é subestimar o calor de um processador potente e usar um cooler básico demais.

Cuidados e problemas comuns

A principal manutenção é a limpeza. A poeira se acumula entre as aletas e na ventoinha, bloqueando a passagem do ar. Limpe com pincel macio ou ar comprimido, sempre com o computador desligado e o cabo da tomada retirado.

A pasta térmica também envelhece e resseca com o tempo. Em geral, a troca costuma ser recomendada a cada alguns anos ou quando as temperaturas começarem a subir sem explicação.

Atenção: na instalação, muitos coolers vêm com uma película plástica na base, que protege o metal durante o transporte. Ela precisa ser retirada antes de instalar, pois bloqueia a passagem do calor. Também confira o sentido do ar: a ventoinha deve soprar na direção da saída de ar do gabinete, em geral para a traseira ou para o topo.

Alguns sinais de que a refrigeração tem problemas:

  • o computador fica lento ou trava em tarefas pesadas;
  • a ventoinha faz um barulho incomum ou gira sempre no máximo;
  • o computador desliga sozinho;
  • as temperaturas, medidas por um programa, estão bem acima do habitual.
Dica: nos notebooks, a ideia é a mesma, mas tudo é bem menor. O ar entra e sai por pequenas grades e dutos, e a poeira acumulada nesses caminhos é uma das principais causas de aquecimento. Use o aparelho sobre superfícies firmes, sem tapar as saídas de ar, e, se notar esquentar demais, procure uma assistência técnica para limpar os dutos.

Perguntas frequentes

Todo processador precisa de cooler?

Sim. Todos precisam de alguma forma de refrigeração. Alguns processadores já vêm acompanhados de um cooler básico na caixa, e outros exigem que você compre um separadamente.

Preciso passar pasta térmica sempre que instalar o cooler?

Em geral, sim. Alguns coolers já vêm com a pasta aplicada na base. Quando ela já vem aplicada, normalmente não é necessário passar mais. Leia o manual do produto para saber o procedimento correto.

Water cooler é melhor que cooler a ar?

Nem sempre. Um bom cooler a ar pode resfriar tão bem quanto muitos water coolers, com menos risco e menos custo. A escolha depende do processador, do gabinete e do orçamento.

Posso usar o computador sem o cooler por alguns minutos?

Não é recomendado. Sem refrigeração, o processador esquenta em segundos. Mesmo que haja proteção térmica, o risco desnecessário não vale a pena.

Resumo rápido

  • Cooler é o conjunto de dissipador e ventoinha que retira o calor do processador.
  • O calor passa pela pasta térmica, pela base de cobre, pelos tubos e pelas aletas, e é soprado para fora.
  • Sem refrigeração, o computador fica lento por proteção térmica e pode desligar sozinho.
  • Há coolers a ar, mais simples, e water coolers, mais caros e trabalhosos.
  • Confira o soquete e a altura do cooler antes de comprar.
  • Limpe a poeira e troque a pasta térmica de tempos em tempos.